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A saúde além do coronavírus

22 de julho 2020 | José Maria Alves de Almeida Prado

A pandemia do coronavírus fez com que milhares de pessoas no Brasil perdessem seus planos de saúde. Com o aumento do desemprego, da redução da renda e da expectativa de recuperação incerta, quase 300 mil mutuários perderam seus planos de saúde entre março de abril – em apenas dois meses. De acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), desde 2015 já houve uma perda de clientes de 3,5 milhões. De uma hora para outra, muitas dessas pessoas e suas famílias se viram empurradas a um cada vez mais sobrecarregado Sistema Único de Saúde (SUS).

O surgimento da dificuldade, no entanto, vem acompanhado de solução para significativa parcela dessa população. Muitos daqueles que foram alijados dos planos por razões econômicas continuam em condições de pagar por exames laboratoriais e consultas particulares preventivas ou de acompanhamento, desde que a preços acessíveis. Mas os novos tempos exigem que, em muitos casos, tais consultas não sejam presenciais. A atual crise de saúde pública impôs um novo padrão de comportamento de saúde, com a intensificação do uso da telemedicina.

A telemedicina, preveem os especialistas, chegou para ficar, mesmo depois que a pandemia passar. Para muitos casos, ela é mais conveniente do que a consulta presencial. Pacientes relatam a satisfação de não terem mais que se deslocar para consultórios e enfrentar demoras nas salas de espera. Com o atendimento remoto, muitas pessoas se sentem encorajadas a agendar mais consultas, em comparação ao período em que elas eram apenas presenciais.

Antes proibida, a telemedicina ganhou novo status nos últimos meses.  O Conselho Federal de Medicina (CFM) deliberou e oficiou a eticidade e a oportunidade de se atender a demanda emergencial ao Ministéro da Saúde, que autorizou a Telemedicina. Trata-se de uma nova proposta de ruptura digital, e não só no Brasil.

No mundo todo a teleconsulta vem sendo encarada como forma de prevenção à pandemia. A tendência de procura cada vez maior pelas chamadas health techs está associada à demanda por bem-estar e qualidade de vida. Afinal, por conta do novo coronavírus, as pessoas estão mais preocupadas com a prevenção de doenças em geral e a manutenção da saúde, o que inclui reposição de vitaminas e cuidados com a imunidade, que dependem de orientação médica.

A pré-condição para o êxito desse novo comportamento é o acesso do paciente à referência do profissional que lhe irá atender. O paciente tem o direito de saber quem está do outro lado da tela, quais são suas qualificações. A informação confiável deve ser democratizada e transparente, para o bem de todos. Baseados nestes preceitos éticos, assim como na valorização e independência do médico foi que buscamos a chancela da Associação Paulista de Medicina (APM), para balizar e orientar os serviços do DrApp, uma plataforma de marcação de consultas e exames pelo celular. O DrApp, que inclusive também oferece redução de preços significativos de exames (até 80%), está lançando a modalidade de telemedicina neste mês.

A APM está atenta aos aspectos éticos desse nicho que vem sendo explorado por várias empresas. Há requisitos a serem observados. Para começar, as plataformas devem ser seguras, para que se preserve a privacidade do paciente. Além disso, os médicos associados devem seguir critérios rigorosos em suas apresentações e não podem, portanto, fazer publicidade paga nos sites. O paciente deve ter total liberdade na busca e escolha do médico – que não pode ter posicionamentos preferenciais.

A pandemia do coronavírus, terrível como é, permitiu o rompimento de antigos padrões no atendimento à saúde dos brasileiros. Cabe à sociedade explorar essa possibilidade da melhor maneira possível.

Referência: Estadão On Line