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Será que a mudança vem a cavalo?

30 de dezembro 2019 | Antonio Penteado Mendonça

Quem não se preparar vai sumir; o mundo moderno não permite a sobrevida de quem perde o timing das coisas e empresas serão substituídas por outras mais eficientes

Ao longo dos séculos, os bancos e as seguradoras conseguiram manter um desenho mais ou menos parecido com o atual. Evidentemente, aconteceram mudanças na forma da operação, mas não foram significativas para a modificação do desenho básico sobre o qual se apoiam.

As análises internacionais dão mais ênfase à ameaça aos bancos, representada pela desintermediação bancária decorrente do uso de tecnologias como as do WeChat e Alipay, já em uso na China, na Índia e em outros países como Dubai, onde é comum se ver avisos informando que aceitam WeChat e Alipay.

A desintermediação bancária será uma pancada no estômago dos grandes conglomerados financeiros. Afinal, é através dela que fazem parte importante de seus resultados.

Além disso, a rapidez, as ferramentas de análise mais acuradas e o custo administrativo mais barato darão às fintechs vantagens competitivas capazes de subverter a ordem atual, criando um novo sistema, mais próximo e mais amigável para os usuários.

Os conglomerados financeiros já estão se preparando para o novo cenário.

Alguns deles já compraram participações significativas em empresas bem sucedidas no Novo Mercado, enquanto outros desenvolvem as próprias alternativas, aceitando que elas, em pouco tempo, possam valer mais do que a instituição original, o que implica, inclusive, permitir que tenham vida própria, com direção e estrutura de capital completamente separadas.

Em seguros, os movimentos têm sido mais lentos ou menos percebidos. A grande novidade do setor foi a criação, pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), de uma sandbox para incentivar o desenvolvimento de empresas criativas, capazes de trazerem ganhos para os segurados, aumentando a competição no segmento. Se é ou não a melhor forma de apostar nas mudanças ainda é cedo para se dizer, afinal, neste momento, estamos no reino das boas intenções.

O uso intensivo de robôs, algoritmos e banco de dados vai permitir melhor análise dos riscos e dos segurados

Mas, de outro lado, existe um mundo real que não espera ser incentivado e que corre fora das regras tradicionais, baseado em tecnologias inovadoras capazes de dar outra precisão e outra velocidade na tomada de decisões, no desenvolvimento de produtos e na comercialização.

São empresas com focos específicos que, atuando em conjunto com outras inovações, podem criar um mercado muito mais rápido, dinâmico e mais barato do que temos hoje.

O uso intensivo de robôs, algoritmos, bancos de dados, fotos, sistemas de plotagem, etc. vai permitir uma melhor análise dos riscos e dos segurados, além do que darão outra velocidade à aceitação dos seguros, emissão das apólices, recebimento de avisos de sinistro, regulação e pagamento das indenizações.

Isso tudo poderá ser feito por empresas menores, altamente especializadas, através do uso intensivo das modernas tecnologias de informação, especialmente depois que o sistema 5G entrar em operação.

Isso quer dizer que as seguradoras atuais estão todas condenadas a desaparecer? Não, não é por aí que o futuro deve acontecer. Quem não se preparar com certeza vai sumir. O mundo moderno não permite a sobrevida de quem perde o timing das coisas e, como não existe vácuo no mundo dos negócios, serão rapidamente substituídas por outras empresas mais eficientes.

Há espaço para todos e não há nenhuma razão impeditiva para que as seguradoras atuais, já preparadas e em pleno funcionamento, não aproveitem o novo para se adequarem às necessidades dos segurados.

O dado interessante desse processo é que o grande beneficiário será o segurado. Já nos próximos anos ele terá uma nova geração de produtos para fazer frente aos novos tipos de risco e às necessidades de proteção, decorrentes do uso diferente de tecnologias mais antigas, bem como do uso inédito de tecnologias revolucionárias.

Com um amplo espectro de novas necessidades, fruto das mudanças radicais que afetam a vida das pessoas e das empresas, a começar pelos novos riscos climáticos se expandindo até os riscos cibernéticos, o universo é o limite. Quem entender o que está acontecendo com certeza se dará muito bem.

 Referência: O Estado de São Paulo