Resultados interessantes

Apesar da crise, em 2017 o setor de seguros se saiu relativamente bem e está pronto para aproveitar o crescimento que deve vir.

As seguradoras estão publicando seus balanços. São peças que precisam ser lidas com cautela, aliás, como acontece com toda demonstração financeira, tanto faz de que setor da economia. Os balanços são fotografias do desempenho da empresa ao longo de um determinado período e podem ser distorcidos por eventos atípicos, aportes extraordinários, postergação de obrigações, enfim, uma série de situações que podem melhorar ou piorar o resultado final.

Grosso modo, os balanços dão uma boa ideia do desempenho das companhias sérias, que são as que nos interessam. Sob esta ótica, o setor de seguros teve um desempenho bastante razoável ao longo de 2017. Os números, no geral, foram significativamente melhores do que os de 2016 e os resultados bem mais consistentes.

Na base deste desempenho está a melhora expressiva da economia brasileira e a retomada da atividade industrial, primeiro para atender a demanda das exportações, depois para atender a demanda do mercado interno. Com o aquecimento dos negócios houve, naturalmente, o aumento da procura por seguros, o que não traz nada de novo para o cenário. É assim desde que o mundo é mundo, ou desde que o seguro existe, tanto faz o país ou a região.

Acontece que se até aqui a reversão do quadro brasileiro e a dinâmica empresarial foram fundamentais para explicar o desempenho positivo do segmento, daqui para frente é a capacidade operacional do setor que vai completar a última linha dos balanços e gerar as participações e dividendos tão caros aos executivos e acionistas.

A crise que assolou o Brasil foi extremamente severa, mas não feriu o setor de seguros com a gravidade com que atingiu, por exemplo, a indústria automobilística. Ao longo dos últimos anos, as seguradoras, operadoras de previdência privada aberta e de capitalização conseguiram assimilar as perdas e, ainda que sofrendo com a retração da economia, conseguiram resultados razoáveis e capazes de permitir-lhes manter a capacidade operacional intacta.

Ao mesmo tempo, elas investiram pesado na infraestrutura essencial para otimizar as ações comerciais e administrativas inerentes ao negócio. Investimentos em inovação, tecnologia, desenvolvimento de produtos, aperfeiçoamento operacional, gestão, recursos humanos e suporte em geral estão na base dos balanços publicados pelas companhias mais bem sucedidas.

Em longas conversas com vários dos principais executivos de seguradoras, operadoras de previdência privada aberta e de capitalização, o que chamou a atenção foi o grau de exigência quanto à consistência operacional de cada setor do negócio. O que estava em jogo não era apenas superar um determinado momento difícil, mas criar as condições para planejar a longo prazo e, dentro do planejamento estratégico, desenvolver as políticas mais adequadas aos objetivos de cada companhia.

Ao longo deste processo algumas empresas redirecionaram seu foco, outras criaram novas áreas de negócio, outra diversificaram seus campos de atuação e outras mantiveram o desenho tradicional, mas desenvolveram novos produtos e estratégias mais afinados com a nova realidade para voltarem a crescer tão logo a economia apresentasse algum sinal de recuperação.

A crise brasileira ganhou força em 2014. 2015 e 2016 foram anos dramáticos porque ficou evidente que o país despencou pela pirambeira criada pela gestão político-econômica completamente incompetente do Governo Federal.

Ao longo destes anos, o setor de seguros andou relativamente de lado, sentiu o duro golpe desferido pela crise, mas se manteve em pé e com a guarda alta, pronto para o próximo assalto.

2015 foi bem difícil, 2016 não refrescou em nada, mas em 2017 o cenário se tornou mais favorável. Com as medidas anteriormente adotas para enfrentar a tempestade, as seguradoras estavam prontas para aproveitar o menor vento e foi isso que elas rapidamente fizeram.

Cada uma com um desenho operacional próprio – algumas atuaram mais agressivamente, outras mantiveram políticas conservadoras -, na essência, o que todas fizeram foi aplicar as ações desenvolvidas para enfrentar a crise e capacitá-las para o momento seguinte.

Entre mortos e feridos, com resultados mais ou menos positivos em 2107, grosso modo, o setor se saiu muito bem e está mais do que preparado – inclusive capitalizado – para aproveitar o crescimento nacional que vai se mostrando muito mais rápido do que as projeções mostravam.

Referência: O Estado de São Paulo