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Lucro operacional da Hapvida dá salto de 56%

21 de Maio 2020

A receita avançou 65% para R$ 2 bilhões e a operadora chegou em março com 3,5 milhões de usuários de planos de saúde e dental

A Hapvida, maior operadora de planos de saúde do país em número de usuários, registrou um aumento de 55,7% no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) para R$ 467,8 milhões no primeiro trimestre.

Esse desempenho considera as aquisições. O crescimento orgânico foi de 8%.

A receita avançou 65% para R$ 2 bilhões e a operadora chegou em março com 4,2 milhões de usuários de planos de saúde e dental. O resultado da companhia mostra impactos da aquisição da São Francisco, no ano passado, por R$ 5 bilhões.

Segundo Bruno Cals, diretor financeiro da Hapvida, a companhia não teve reflexos da pandemia do novo coronavírus nos resultados do primeiro trimestre. “Os casos se intensificaram na segunda quinzena de março. Em abril, teremos um reflexo maior da covid-19. Por um lado, vamos ser compensados porque tivemos menos procedimentos eletivos, mas vale lembrar que temos custo fixo porque temos hospitais. Então, não será um benefício tão relevante”, disse o diretor da Hapvida, cujos procedimentos são quase todos realizados em rede própria.

O lucro líquido caiu 20% para R$ 164,6 milhões no período entre janeiro e março. Essa redução na última linha do balanço não está relacionada ao desempenho operacional da companhia. O lucro líquido foi impactado por um resultado financeiro negativo de R$ 56 milhões, amortização de ativos adquiridos de R$ 96 milhões e maior provisão para ressarcimento ao Sistema Único de Saúde (SUS).

No primeiro trimestre do ano passado, a companhia ainda não tinha fechado as aquisições. Com isso, na época, o resultado financeiro foi positivo em R$ 56 milhões e não havia amortização dos ativos comprados.

A linha do ressarcimento ao SUS foi uma das que mais aumentaram afetando negativamente os custos e as despesa financeiras. No total, o montante que a Hapvida desembolsou para pagar as despesas de seus usuários que usaram a rede pública de saúde foi de R$ 102,8 milhões no primeiro trimestre. Um ano antes, esse valor foi de R$ 9,9 milhões.

“A ANS acelerou o processo de cobrança a partir do segundo semestre do ano passado. O valor por usuário que pagamos é o mesmo da média do mercado, mas como temos uma carteira maior, o total acaba sendo mais expressivo”, explicou o diretor financeiro da Hapvida.

Autor: Beth Koike
Referência: Valor Econômico