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Hospital onde presidente fez teste omite 2 positivos

25 de março 2020

Guerra de versões opõe Hospital das Forças Armadas, Ministério da Defesa, Justiça e governo do Distrito Federal

Uma guerra de versões sobre autoridades infectadas com o novo coronavírus opõe o governo do Distrito Federal, o Ministério da Defesa, a Justiça e o Hospital das Forças Armadas (HFA), onde o presidente Jair Bolsonaro realizou exames. Nos bastidores, integrantes do governo do Distrito Federal acusam o HFA de omitir nomes de duas pessoas que contraíram a doença. A Justiça Federal determinou, há cinco dias, que o hospital informasse a relação completa de quem está com coronavírus, mas na lista apresentada, com 17 casos, duas identidades foram mantidas sob sigilo.

Bolsonaro fez dois testes para saber se foi contaminado e, segundo ele, todos deram negativo. Foi o governo do Distrito Federal que acionou a Justiça para obter a lista. Além de Bolsonaro, integrantes da comitiva que acompanhou o presidente em recente viagem aos Estados Unidos também se submeteram a exames no HFA. Ao todo, 23 pessoas que estiveram com ele já contraíram coronavírus.

O Estado pede há dias à Secretaria de Comunicação da Presidência que apresente os resultados dos exames de Bolsonaro, mas não obteve resposta. O presidente afirmou recentemente que não teria problema em divulgar os testes, mas classificou os pedidos como “intromissão” e disse se preocupar com reflexos na economia, caso algo aconteça com ele.

O comandante logístico do HFA, general Rui Yutaka Matsuda, assegurou que as informações sobre os pacientes do hospital com resultado positivo para a covid-19 já foram compartilhadas com a Secretaria da Saúde do DF e com o Ministério da Saúde. O Ministério da Defesa também prestou a mesma informação.

Em ofício obtido pelo Estado e endereçado à juíza Raquel Soares Chiarelli, porém, o comandante logístico do HFA afirma: “Deixo de informar à V. Exa., neste documento, os nomes dos pacientes com sorologia positiva para a Covid-19, a fim de evitar a exposição dos pacientes e em virtude de direito constitucional de proteção à intimidade, vida privada, honra e imagem do cidadão”.

A juíza impôs multa de R$ 50 mil à direção do hospital por paciente que tiver a informação sonegada. Disse ainda que a devida identificação dos casos é “inadiável”.

Autor: Mateus Vargas e Julia Lindner
Referência: Estado de São Paulo