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‘Brasil se aproxima dos EUA, que já enfrenta escassez’

23 de março 2020

O secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo, disse anteontem que o Brasil está fazendo um grande esforço para aumentar a quantidade de leitos de UTIs, mas ainda está longe de países com sucesso no tratamento da covid-19, como a Alemanha.

“A Alemanha tem quatro vezes mais leitos de UTI que a Inglaterra, e isso explica muito sobre a situação. A Alemanha provavelmente não terá dificuldades com respiradores devido à grande capacidade instalada. O Brasil se aproxima mais dos Estados Unidos, que já enfrenta escassez de máscaras e testes”, observou. Hoje, o SUS tem cerca de um leito para cada 10 mil habitantes. “Com pouca margem para aumento de demanda por causa da alta taxa de ocupação”, afirma a associação. Na rede particular, a relação é de quatro leitos para cada 10 mil habitantes e a ocupação média é de 80%, indica levantamento da Amib. Em locais de forte contaminação pela covid-19 no mundo, a demanda por leitos de UTI chegou a ser mais que o dobro da média disponível no setor público brasileiro, segundo a associação.

O estudo da Fiocruz também observa a série histórica de leitos de UTI. Segundo a fundação, “chama a atenção” que 144 (33%) das “Regiões de Saúde” delimitadas pelo governo não têm nenhum leito de cuidado intensivo disponível ao SUS por 100 mil habitantes, sendo que metade está no Nordeste.

Dados recentes, deste ano, mostram que os leitos de UTI se concentram na Região Sudeste – são 6.700 em São Paulo e 4.040 no Rio. As redes públicas e privada têm praticamente o mesmo número de leitos para tratamento intensivo. Mas os pacientes com plano de saúde representam apenas 25% da população. A conta entre autoridades de Saúde é que o SUS atende a 150 milhões, enquanto hospitais particulares recebem 50 milhões.

Autor: Eduardo Rodrigues, Anne Warth e Felipe Frazão
Referência: Estado de São Paulo