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C6 Bank faz quinta aquisição, com foco em seguros

15 de outubro 2019

O C6 Bank, de ex-executivos do BTG Pactual, fez uma nova aquisição, dessa vez, com foco em seguros. Trata-se da quinta compra em pouco mais de 1,5 ano de vida. Com o negócio, o novato ultrapassa a marca de mil funcionários e se posiciona para incrementar a oferta de serviços financeiros para pessoas físicas e pequenas e médias empresas.

O alvo foi a Som.us, que atua com seguro e resseguro e conta com dez escritórios nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal. Resultante da fusão da operação da inglesa Cooper Gay e da norte-americana Swett & Crawford no Brasil e transformada no negócio atual, a empresa agrega uma carteira de R$ 300 milhões em prêmios de seguros e uma plataforma que assessora mais de 3 mil corretoras de seguros, que somam uma força de vendas de 10 mil profissionais. O valor do negócio não foi revelado.

Conversas entre o C6 e a Som.us começaram em dezembro.

O namoro entre o C6 e a Som.us começou em dezembro. Outros alvos foram avaliados, mas, segundo o responsável pela área comercial do C6 Bank, Marcos Massukado, a empresa tem sentido estratégico à medida que se encaixa no plano do banco de ser um marketplace – plataforma aberta – em seguros. ?Nosso objetivo é reinventar a oferta de serviços financeiros com tecnologia e o seguro se encaixa perfeitamente. É um mercado grande – a despeito da baixa penetração no Produto Interno Bruto (PIB), ao redor de 6,5% – e com mais oportunidade de reinvenção do que o próprio setor bancário?, avalia o executivo, em entrevista exclusiva ao Broadcast.

O foco do C6 é operar em diversos ramos de seguros com maior foco no varejo como automóvel, prestamista (atrelado a financiamentos) e outros, mas sem ser uma seguradora. Nesse sentido, já fechou parcerias comerciais com players como a canadense Fairfax, a suíça Zurich, a alemã HDI, a norte-americana Chubb e a brasileira Porto Seguro. ?Não temos a mínima intenção de sermos uma seguradora?, diz Massukado.

A partir da aquisição da Som.us, cujos negócios serão unificados à corretora de seguros do C6, o banco poderá distribuir os produtos por uma plataforma muito maior, turbinando as receitas no segmento. Os corretores de seguros ligados à Som.us poderão se tornar consultores empresariais do Conexão C6, rede do banco que atua junto às pequenas e médias empresas. O foco nesse segmento são grupos com faturamento entre R$ 500 mil e R$ 50 milhões por ano, onde a instituição vê espaço para crescer com soluções customizadas, o que esse público não encontra nas grandes instituições.

?Os corretores de seguros serão aproveitados de uma forma inédita na relação com um banco?, promete o CEO da Som.us e quem ficará responsável pela distribuição de seguros do C6, Fábio Basilone, que criou a empresa, em 2003. ?É um canal de distribuição agnóstico e que vai nos permitir escalar a nossa operação de seguros de forma exponencial?, acrescenta Massukado.

Além disso, o negócio marca a entrada do banco na área de resseguros, seguro das seguradoras. Dos contratos da Som.us, 40% vêm dessa área. O C6 já havia fechado com o ressegurador IRB Brasil Re na área de seguro prestamista. Ao repassar parte de seus negócios para o líder deste mercado no Brasil, o banco pulveriza o risco da operação e, de quebra, consegue ofertar produtos com preços menores aos clientes, que já são beneficiados pela estrutura do banco, sem agências físicas e com foco no digital.

Quinta aquisição do C6 desde que o projeto do banco teve início, em março do ano passado, é a primeira compra no segmento de seguros. Antes, a instituição já havia investido em uma empresa de pagamentos (PayGo), numa fornecedora de soluções de pagamentos (Setis), um marketplace em câmbio (Besser Partners) e uma startup de educação corporativa (Idea9).

Com o nome em uma referência ao carbono, o C6 não abre sua base de clientes. O banco contou com 200 mil clientes que testaram sua operação até agosto último, quando o novato foi oficialmente lançado no País. O C6 nasceu como uma alternativa aos grandes bancos de varejo, sem agências físicas e com uma plataforma aberta, incluindo produtos de terceiros, e totalmente digital. Recentemente, elevou seu capital em R$ 100 milhões, para R$ 430 milhões.

Autor: Aline Bronzati
Referência: O Estado de São Paulo