Capitolio Consulting


Novo tipo de seguro prevê pagamento por uso

09 de setembro 2019

Modalidade permite contratar só quando tirar o carro da garagem, por exemplo. Mas consumidor precisa avaliar suas necessidades

Já pensou na hipótese de acionar o seguro do carro só quando sair da garagem? E de contratar um seguro de acidentes pessoais apenas pelos 30 minutos em que alugar uma patinete? Esse tipo de seguro, chamado popularmente de “liga-desliga” ou pago por uso, que já movimenta milhões de dólares nos Estados Unidos, começa a chegar ao mercado brasileiro.

Publicada no fim do mês passado, a circular 592 da Superintendência de Seguros Privados (Susep) flexibiliza o tempo de contratação de seguros, tradicionalmente de um ano, para até minutos. A ideia é atingir um público maior.

Com preços mais acessíveis e períodos de coberturas mais enxutos, esse modelo, avaliam especialistas, deve atrair os jovens, em um primeiro momento. Isso porque tudo deverá ser feito via aplicativo em smartphone.

– Independentemente de renda, acreditamos que os jovens devem ser os primeiros a aderir a esse tipo de contrato. Mas a tendência é que se torne cada vez mais comum. Estimativas internacionais preveem um crescimento de 25% desse mercado até 2024 – diz Rafael Scherrer, diretor da Susep.

A Thinkseg, primeira insurtech – como são chamadas essas empresas – totalmente digital do Brasil, firmou parceria com a gigante Generalli. Ela já oferece, com uma assinatura mensal a partir de R$ 94, um seguro de automóvel no sistema intermitente. Ao acionar a cobertura, o segurado paga um valor sobre a quilometragem, que varia conforme seu perfil de motorista. Tudo é monitorado via aplicativo explica Andre Gregori, fundador e presidente da start-up:

– O aplicativo “lê” as viagens e identifica que é o seu carro e você é que está dirigindo, com uma certeza que chega a 95%. A pessoa paga um valor máximo por quilometragem que reverte em esquema de cash back ou em pontos de fidelidade, que podem chegar a 70% do valor.

Para José Varanda, professor da Escola Nacional de Seguros, a tecnologia deve baratear e ampliar o uso do seguro:

– Cada um vai poder pagar pelo que usar. Por exemplo, quem vai viajar 30 dias e quer um seguro para a casa nesse período. Quem quase não sai com o carro poderá contratar para quando considerar que terá mais risco.

Patrícia Costa, gerente de Desenvolvimento de Produtos da Mongeral, diz que a seguradora tem estudos adiantados para lançar essa modalidade. Mas admite haver desafios, pois o contrato precisa ser de fácil compreensão.

A coordenadora de atendimento ao Consumidor do Procon-SP, Renata Reis, também ressalta que é preciso oferecer ao consumidor informações claras na hora da contratação.

O diretor técnico e de produtos da Bradesco Auto/RE, Saint’Clair Lima, lembra que as seguradoras terão que desenvolver tarifas específicas para estes períodos, com foco no risco e no perfil do cliente. E que, por isso, neste momento, não é possível afirmar que o seguro intermitente será mais caro ou barato que o tradicional. Mas reconhece que o valor pode ser mais atraente para quem usa pouco o carro.

Antes de contratar um seguro intermitente, o consumidor precisa avaliar por quanto tempo precisará da proteção, diz Eduardo Dal Rí, presidente da Comissão de Automóvel da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg):

– Ter de “ligar e desligar” o seguro de forma frequente não é prático e pode levar a um esquecimento.

Autor: Luciana Casemiro
Referência: O Globo