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“Gravidez na adolescência é problema de saúde pública”, diz psicológica a jovens deputados

14 de março 2019

“Gravidez não é doença. Então, por que se falar em prevenção?”. O questionamento foi feito pela doutora em Psicologia, Anita Guazzelli Bernardes, em palestra que abriu a primeira sessão ordinária deste ano do projeto Parlamento Jovem, realizada na tarde desta segunda-feira (11) no Plenário Deputado Júlio Maia, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALMS). O projeto, que está na 6ª edição, é coordenado pela Escola do Legislativo Senador Ramez Tebet.

Professora e pesquisadora do Programa de Mestrado e Doutorado em Psicologia e do Programa de Mestrado e Doutorado em Desenvolvimento Local da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Anita Bernardes afirmou que a gravidez na adolescência, em si, não é doença e não diz respeito apenas a quem se engravida. “Quando se fala em prevenção, é porque há risco ligado diretamente a alguma doença. Então, como prevenir algo que não é doença?”, problematizou.

Anita Bernardes afirmou que a questão é de saúde pública. “Isso porque não diz respeito apenas ao indivíduo, o que exige uma resposta para a coletividade”, disse. Para explicar essa perspectiva, a psicóloga mencionou o artigo 3º da Lei 8080/1990, que institui o Sistema Único de Saúde (SUS). Esse artigo estabelece que a saúde tem como determinantes e condicionantes, a alimentação, a moradia, o trabalho, a renda, a educação, entre outros fatores. “É sob essa ótica que devemos entender a gravidez na adolescência”, defendeu.

Para a professora, o debate não deve ser mais sobre “como” e, sim, sobre “por que” evitar a gravidez na adolescência. “Com a gravidez, o jovem passa da condição de cuidado [pelos adultos, pelos seus pais] à condição de cuidador. E por que isso ocorre, mesmo com as informações sobre como evitar a gravidez?”, questionou. Conforme a professora, “as ferramentas do universo adulto” ainda não conseguiram responder essa questão e, mesmo com tantas informações, os índices de gravidez na adolescência continuam subindo.

O problema deve ser abordado na relação com outros fatores e, de modo específico, com a ausência de alternativas, de acordo com a psicóloga. “O que está faltando para que a gravidez na adolescência deixe de se apresentar como uma forma de viver? O que tem de possibilidade de vida aos jovens para que a gravidez não se torne uma possibilidade?”

Mesa diretora foi composta só por deputadas, devido ao mês da mulher

Sessão – Antes da palestra da psicóloga, que foi entremeada por perguntas feitas pelos jovens parlamentares, fizeram ligeiras falas o coordenador da Escola do Legislativo, Ben-Hur Ferreira, e o deputado estadual, João Henrique (PR). Os dois falaram sobre suas trajetórias e disseram que têm muito a aprender com os mais jovens.

Encerrada essa primeira parte, teve início, efetivamente, a sessão. Por ser o mês da mulher, a mesa diretora foi composta apenas por deputadas jovens. Foi presidida pela estudante Natállia Braga e contou como 1ª e 2ª secretárias, as parlamentares Ellen Karina e Jéssica Cristina, respectivamente.

Não houve fala no Pequeno Expediente. Já no Grande Expediente, ocuparam a tribuna os deputados Guilherme Santana e Gustavo Andrade. O primeiro estudante falou sobre a violência doméstica e defendeu a necessidade de investir mais em educação como forma de enfrentamento a esse problema. Gustavo, por sua vez, abordou o aumento do número de casos de Aids e a redução de campanhas relativas à doença.

Autor: Álik Menezes
Referência: A Crítica