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41% dos usuários paulistanos temem ficar sem plano de saúde no próximo ano, diz Datafolha

06 de dezembro 2018

Entre os bens mais valorizados pelos paulistanos, convênio médico só perde para casa própria

A crescente redução de usuários de planos de saúde registradas nos últimos anos ainda não dá sinais de regressão. Pesquisa Datafolha realizada para o 2º Fórum Saúde Suplementar, promovido pela Folha nesta quarta-feira (5), em São Paulo, mostra que 41% dos usuários paulistanos dizem ter alguma chance de ficar sem assistência médica particular nos próximos 12 meses.

“O medo de perder a assistência médica particular se soma ao medo de perder o emprego. A gente vive hoje um ambiente de expectativas negativas e de receio de perda de benefícios e direitos”, afirmou Mauro Paulino, diretor do instituto Datafolha.

Entre os dias 21 e 23 de novembro, foram entrevistadas, na cidade de São Paulo, 638 pessoas que possuem convênio médico e outras 172 que deixaram de ter nos últimos quatro anos. Neste último grupo, 45% justificaram a saída por demissão e 36% por falta de condições financeiras. O preço é o fator mais citado como impedimento para novas adesões. A pesquisa foi realizada com patrocínio da administradora de benefícios Qualicorp.

Os resultados ainda indicam que 45% dos entrevistados comprometem até 10% da sua renda com planos do segmento suplementar.

A saúde prevalece entre os problemas que mais preocupam a população brasileira. Quando perguntados sobre o que era mais importante em suas vidas, 42% dos entrevistados responderam “família” e 38%, “saúde”. Entre os bens mais valorizados, plano de saúde é precedido apenas pela casa própria.

“Às vezes a saúde cai porque disputa o primeiro lugar [de problema que mais preocupa] com segurança pública e corrupção, mas em momento algum, desde 2008, deixou de ser considerada um dos principais problemas”, afirmou Paulino.

Quase um quinto dos usuários (19%) afirmou já ter tido problemas com plano de saúde. Os mais citados são demora para agendamento de consultas e cirurgias, atendimento, liberação de senhas ou autorizações e reembolso. Apesar desses fatores, 80% dos que possuem plano de saúde consideram sua atuação ótima ou boa.

Transparência nas informações e acompanhamento médico mais individualizado são apontados como desejáveis por 88% dos usuários. Sobre atendimento e suporte, 33% dos entrevistados responderam que prefeririam que fossem realizados pelo aplicativo WhatsApp.

Um dado da pesquisa nacional mais recente reforça o quanto esse tema é caro à população brasileira. O instituto perguntou qual área deve ser prioridade do próximo presidente, e 40% apontaram a saúde —uma demonstração de que essa área é a que mais incomoda, avaliou o diretor do Datafolha.

A segunda edição do fórum Saúde Suplementar contou com patrocínio da Qualicorp e do sistema cooperativo de saúde Unimed, além de apoio da Anab (Associação Nacional das Administradoras de Benefícios) e da FenaSaúde (Federação Nacional de Saúde Suplementar).

Folha de São Paulo