Com maior visibilidade, aumenta a procura por seguros ambientais

Acidentes recentes no Brasil, como o ocorrido na cidade de Mariana (MG), evidenciaram a importância do produto; projeto de lei que tornaria a garantia obrigatória vem sendo discutido

Com multas que podem chegar a R$ 155 bilhões, os recentes danos ambientais fizeram que as empresas passassem a olhar com mais atenção para o a modalidade de seguro de Riscos Ambientais.

Entre janeiro e dezembro de 2017, a carteira atingiu a marca de R$ 68,69 milhões em prêmios emitidos, aumento de 27% em relação ao ano de 2016 e de 53% comparado a 2015, de acordo com dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep). Somente neste ano, até o mês de julho, foram emitidos mais de R$ 51 milhões em prêmios.

Segundo a especialista em Riscos Ambientais da Consultoria Willis Towers Watson, Marjorie Leite, a maior importância dada pela mídia e pela sociedade a esses tipos de acidentes está por trás do avanço da carteira. “Além da opinião da população sobre tais eventos, que acabam tendo ligação direta com a imagem das empresas na mídia, os órgãos ambientais estão cada vez mais atuantes em cumprir as legislações”, explica ao DCI.

O rompimento de barragem de rejeitos da mineradora Samarco, controlada pela Vale e BHP Billiton Brasil, entre os distritos mineiros de Mariana e Ouro Preto, em 2015, evidenciou a falta de cultura do seguro para prevenir e minimizar impactos financeiros e ambientais decorrentes de acidentes dessa natureza.

“O impacto sócio ambiental foi muito grande, com consequências econômicas. Foi algo que o mundo todo tomou conhecimento”, diz Marjorie.

“O desafio é a conscientização de que as empresas estão com uma possível exposição que não é amparada dentro das apólices de seguros que eles já têm. A apólice de seguro ambiental é complementar a outras adquiridas”, afirma.

Obrigatoriedade

Em agosto, foi aprovado pela Comissão de Meio Ambiente (CMA), do Senado Federal, o projeto de lei PLS 767, que pode tornar obrigatória a contratação do seguro ambiental.

Apesar de a ação poder fomentar a demanda pelo produto, especialistas ouvidos pelo DCI destacam que o projeto ainda necessita de um debate maior entre o mercado.

“É uma lei muito delicada. O mercado ainda não tem muita clareza, nem a sociedade, de como essa obrigatoriedade vai ser colocada em prática. Ela poderá acabar atribuindo uma responsabilidade de fiscalização que o mercado segurador não pode ter nesse momento”, comenta Marjorie.

Segundo ela, o crescimento da demanda em um cenário de capacidade reduzida de atendimento pelo mercado poderá gerar também uma pressão por um aumento de custo.

Para a sócia na área de Seguros, Resseguros e Previdência Privada da Mattos Filho Advogados, Luciana Prado, além de uma melhor comunicação com o mercado segurador, a elaboração de um consórcio da modalidade é bem vista entre os especialistas da área. “Um consórcio, como o do Dpvat, daria a opção de participação ou não é um controle maior as seguradoras”, afirma a especialista ao DCI.

Autor: Mônica Baptistella
Referência: DCI