Recursos pelo ralo da corrupção

Um dos principais desperdícios da saúde é a quantidade de exames realizados e a campeã é a saúde suplementar, que envolve os planos de saúde. As taxas de utilização de tomografia computadorizada, 146,8 por mil beneficiários, e de ressonância nuclear magnética (147,1) superam as médias de utilização dos países-membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que são 144,1 e 67 por mil beneficiários, respectivamente, segundo dados da Federação Nacional de Saúde Complementar (FenaSaúde).

Além de caros, esses procedimentos representam riscos para a saúde. A exposição à radiação da tomografia pode provocar câncer. “Tratamentos mais caros são indicados quando um mais simples daria uma assistência melhor. Órteses e próteses são utilizadas excessivamente e o preço praticado é ‘de acordo com o freguês’, por falta de regulação. É preciso transparência nos processos. A regulação assimétrica regula a ponta, os planos de saúde, mas não estende aos demais elos da cadeia, de médicos a fornecedores”, aponta o superintendente de regulação da FenaSaúde, Sandro Leal.

Existem ainda as fraudes como emissão de notas falsas, simulação de atendimentos e prescrição de tratamentos que são até mesmo contraindicados pelos conselhos profissionais, além da postergação de alta hospitalar para garantir o leito. “A lógica econômica que persiste no setor é perversa, remunera o desperdício, o gasto desnecessário. A grande mudança tem que passar a remunerar a qualidade do serviço médico e não o volume”, completa Leal. Segundo ele, nos últimos 10 anos, a conta dos planos de saúde fechou no vermelho em seis.

O Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) estima que, em 2016, as fraudes custaram R$ 14 bilhões em contas hospitalares e R$ 11 bilhões em relação aos exames. O Ministério Público Federal e a Receita Federal estimam que um esquema de fraude em compras de próteses e equipamentos médicos pela Secretaria de Estado do Rio de Janeiro e pelo Instituto Nacional de Traumatologia (Into) provocou desvio de, ao menos, R$ 300 milhões. A estimativa, que se refere ao período de 2007 a 2016, envolve irregularidades em importações dos equipamentos e propina de 10% que incidia sobre os contratos. (MS)

Máfia das próteses

Três anos se passaram desde que a máfia das próteses veio à tona. O esquema, suspeito de movimentar cerca de R$ 12 bilhões em 2015, se disseminou pelo país. A prática consistia em colocar em pacientes órteses e próteses sem necessidade, muitas vencidas e superfaturadas, em troca de comissão a médicos. O esquema beneficiou dezenas de envolvidos, desviou dinheiro do SUS e encareceu planos de saúde. Nos últimos anos, mais de 40 pessoas foram detidas, sendo 13 só no Distrito Federal. Destas, sete eram médicos.

Previna-se

Confira uma lista de perguntas que o paciente pode fazer ao médico antes de se submeter a um exame ou tratamento:

» Esse procedimento é realmente necessário?

» Quais são os benefícios, as contraindicações e os efeitos colaterais?

» Existem opções mais simples e seguras?

» O que acontece se não investigar ou se não tratar o problema?

» Quais são os custos envolvidos?

Referência: Correio Braziliense