Seguradora projeta novos clientes e diferentes preços no médio prazo

São Paulo – A crescente inserção tecnológica nos processos de seguros da SulAmérica tende, no médio prazo, a trazer mais clientes e preços mais justos aos produtos oferecidos. As parcerias com insurtechs, no entanto, ainda estão fora de cogitação para a empresa.

A maior exigência do segurado por experiência e agilidade e o surgimento de startups especializadas em seguros (insurtechs) – foram mais de 10 criadas só em 2017 -, atingiram “em cheio” o mercado no Brasil nos últimos dois anos.

Os dados mais recentes da Celent, por exemplo, apontam que em 2016, mais de 93% das seguradoras da América Latina estavam em curso ou tinham concluído sua transformação digital.

Além disso, a perspectiva é que os investimentos para o processo e a área de tecnologia subissem de uma média de 3,15% do orçamento para algo próximo a 4%.

De acordo com o vice-presidente de operações e tecnologia da SulAmérica, Marco Antunes, apesar de a companhia se preocupar com seu rumo tecnológico, “ser inovador no Brasil é algo difícil”.

“Temos tentado incorporar essas inovações dentro da companhia e fazer com que elas sejam positivas, não apenas como moda, mas como realidade rentável e de melhoria na experiência do cliente”, comenta o executivo.

Nesse sentido, além da possibilidade do reembolso on-line, já oferecido nos seguros de saúde da SulAmérica, outra novidade da companhia é o aplicativo voltado para os seguros de automóveis.

Previsto para ir à teste com o público no próximo dia 18, o aplicativo (denominado SulAmérica Auto.Vc) usa de uma base de dados e inteligência artificial para aprofundar os diferentes riscos que existem mesmo em clientes com características básicas semelhantes.

Entre dois jovens, por exemplo, mesmo que morem na mesma região estudem na mesma universidade, a ferramenta distinguirá se um deles tem ou não um relacionamento, sai com os amigos ou passa mais tempo em casa e qual a forma de dirigir de ambos, em diferentes ocasiões.

Para o vice-presidente de auto e massificados da SulAmérica, Eduardo Dal Ri, a vantagem da plataforma é oferecer à companhia, seus segurados e até seus potenciais clientes, “um novo nível de relacionamento e interação”.

“No limite, próprio sistema dá o feedback de qual o sexo, estado civil e moradia de quem usa o aplicativo. Além da importância do ponto de vista técnico, o aplicativo tem potencial para mudar tudo sobre a justiça tarifária que oferecemos hoje”, pondera Dal Ri.

Ele acrescenta que a diferenciação nos preços e o maior números de segurados podem ser vistos até mesmo no médio prazo, com a nova ferramenta da empresa.

“O grande problema dos últimos anos foi a oscilação dos índices de criminalidade dos principais estados brasileiros. O mercado precisa de um tempo para se adaptar à nova realidade de risco, o que exige um empenho técnico maior de precificação para colocar a tarifa equilibrada entre sinistro e receita de prêmio”, explica o executivo e autos e massificados, ponderando que mesmo após perder um ponto de share no setor (está com 23,5%), as expectativas são positivas.

“Não devemos recuperar no próximo ano, mas a estratégia é crescer naturalmente. Os seguros auto da SulAmérica deprimiram um pouco em detrimento da exploração de resultados, mas o esperado agora é estudar mais o risco e melhorar share e preços gradativamente”, conclui Dal Ri.

Insurtechs

Ao mesmo tempo, porém, enquanto a discussão de possíveis aquisições de insurtechs por seguradoras é bastante especulado no mercado, o presidente da SulAmérica, Gabriel Portella, pontua que tal apuração está fora de cogitação para a companhia por enquanto.

“Eu já enxergo a SulAmérica como uma grande insurtech por conta de tudo o que já estamos fazendo. Claro que analisamos as oportunidades, mas ainda temos muito a fazer com nossos próprios processos”, avalia o presidente e acrescenta que, assim, o foco continua em novas tecnologias.

“Não precisamos de insurtechs, mas sim de dedicação e investimento”, diz Portella.

Autor: Isabela Bolzani
Referência: DCI