Crise na saúde atinge Hospital de Acari que, sem verba da prefeitura, suspende internações

Novas internações são negadas pela direção, e funcionários estão com salários atrasados

Em mais um capítulo da crise da saúde no Rio, o Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, conhecido como Hospital de Acari, na Zona Norte, suspendeu as cirurgias. A unidade, que há 20 dias não realiza operações, também fechou uma das quatro alas destinadas à internação. A falta de recursos também prejudica outros serviços e a rotina dos profissionais que, até agora, não receberam os salários de outubro.

Os exames de colonoscopia, por exemplo, que dependem da área cirúrgica, também não estão sendo feitos. O setor de imagens não imprime laudos porque a unidade não tem papel, e o que atende pacientes psiquiátricos está recusando novos atendimentos. O hospital não aceita casos de internação, e apenas o atendimento às grávidas está sendo mantido.

Com os salários atrasados há 12 dias, os profissionais dizem que não há sequer perspectiva de receber.

— A coordenação informou que não houve repasse de verba da prefeitura e, por isso, eles fecharam a clínica cirúrgica por falta de insumos. E também para pressionar — contou uma funcionária do hospital, onde são realizadas cirurgias de média complexidade, como intervenções na vesícula e no apêndice. NO MOMENTO, SÓ URGÊNCIAS Há cerca de dois meses, as cirurgias também foram suspensas, o que fez a Secretaria municipal de Saúde, à época, liberar o dinheiro que estava retido. Dessa vez, no entanto, a verba ainda não chegou.

O Hospital de Acari é administrado pela Organização Social Viva Rio, com dinheiro da prefeitura. A OS assumiu o controle da unidade em dezembro de 2015, após os donos da antiga administradora, a OS Biotech, serem presos, acusados de desvios de R$ 48 milhões.

Por meio de nota, a Prefeitura do Rio informou que está empenhada em regularizar a situação das unidades de saúde da rede municipal. De acordo com a pasta, os repasses feitos às organizações sociais obedecem a um calendário publicado em Diário Oficial pela Secretaria municipal de Fazenda. Ainda segundo a secretaria, o Hospital Municipal Ronaldo Gazolla prioriza, neste momento, as cirurgias de urgência. “As cirurgias eletivas que não são realizadas no hospital serão agendadas em outra unidade da rede ou tão logo a situação seja regularizada”, informou a nota.

Desde o início da gestão do prefeito Marcelo Crivella, a prefeitura alega que a administração anterior deixou uma dívida de R$ 266 milhões na saúde. O orçamento deste ano da pasta já foi contingenciado em cerca de R$ 500 milhões, o que deve se repetir em 2018. Outras organizações sociais, como o Iabas, uma das maiores do município que administra várias unidades, também estão com repasses de verba atrasados.

Autor: Bruno Alfano – Referência: O Globo