Fundo de recebíveis do Rural suspende resgates

Com patrimônio de R$ 405 milhões, o fundo de recebíveis que investe na compra de créditos concedidos pelo Banco Rural suspendeu o pagamento e pedidos de resgates dos cotistas após a liquidação da instituição, na última sexta-feira. Os principais investidores do fundo são institutos de previdência de Estados e municípios.

A venda de carteiras de crédito para o fundo de recebíveis se tornou uma das únicas fontes de captação do banco nos meses que antecederam a liquidação. No primeiro semestre deste ano, o fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC) Rural Premium levantou quase R$ 40 milhões em recursos, de acordo com informações disponíveis no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Como o risco dos investidores está nos créditos concedidos pelo banco, a liquidação não deveria influenciar os resultados do fundo. Mas como os recursos dos créditos passavam por uma conta do Rural, que também atuava como agente de cobrança em nome do fundo, o fluxo de pagamentos pode demorar a se restabelecer.

O principal risco é o de uma repetição dos problemas enfrentados pelos investidores dos FIDCs do Banco BVA. Após a intervenção, em outubro passado, os fundos com lastro em créditos concedidos pelo banco praticamente deixaram de receber recursos.

O FIDC Rural Premium possui pouco mais de 100 cotistas. Segundo o Ministério da Previdência Social, 50 institutos de previdência de Estados e municípios detinham R$ 72 milhões no fundo em fevereiro, último dado disponível.

A qualidade da carteira é outro fator de preocupação. Bancos como o Cruzeiro do Sul usavam os FIDCs para aplicar em certificados de depósito bancário da própria instituição. Segundo fontes de mercado, o FIDC do Rural tinha todos os direitos de crédito em empresas de médio porte.

Pelo menos no curto prazo, os investidores do fundo não devem sofrer perdas. Isso porque 40% do patrimônio do fundo é composto por cotas subordinadas, as primeiras a registrarem perdas em caso de problemas, que são detidas pelo próprio Rural. O fundo possuía classificação de risco “AA-”, equivalente a baixo risco, da Austin Rating, de acordo com relatório publicado em maio deste ano.

A Petra Corretora, administradora do FIDC, convocou os cotistas para uma assembleia no dia 19 de agosto. Na reunião, será discutida a liquidação antecipada do fundo. Procurada, a Petra informou que está em tratativas com o liquidante do banco e com a CVM para preservar os interesses do fundo.

Autor: Vinícius Pinheiro e Thais Folego – Referência: Valor Econômico